Evolução do LMS

As plataformas de gestão da aprendizagem, conhecidas como LMS (Learning Management System) evoluíram bastante desde seu surgimento no final dos anos 90. Veremos quais foram seus principais estágios de evolução e descreveremos brevemente o que está acontecendo e o que está por vir.

Os créditos originais do modelo que apresentaremos pertencem a Bersin by Deloitte, aqui fizemos pequenas adaptações para facilitar o entendimento.

O primeiro estágio é denominado E-learning e marca a primeira geração de LMS. Naquela época o LMS era um grande repositório, sinônimo de catálogo de cursos online, como se fosse uma universidade virtual. A filosofia da época era que o design instrucional adaptasse o conteúdo ao novo formato e os usuários enxergavam tudo isso como sendo opções de autoestudo e de aprendizagem online, sobretudo assíncrona. Assim, o LMS era visto apenas como uma plataforma de e-learning.

No segundo estágio, as principais empresas provedoras destas ferramentas buscaram novas oportunidades para atender a demanda da área de Recursos Humanos das organizações clientes. Assim, expandiram o conceito do LMS como ferramenta de gestão do e-learning para uma plataforma de gestão de talentos que oferecesse a integração com subsistemas de avaliação de desempenho e de carreira.

Os conteúdos que estavam desagregados passaram a ser organizados em trilhas de aprendizagem para facilitar o processo de onboarding, a formação funcional e o desenvolvimento contínuo em diversas competências, passando a serem vistas pelos usuários como formas de cumprirem seus PDI e direcionar seu desenvolvimento profissional. Também, novas funcionalidades, como por exemplo as comunidades, permitiram a expansão do conteúdo para uma lógica de aprendizagem mais híbrida e social.

No terceiro estágio, o da aprendizagem contínua, a evolução tecnológica e sua respectiva popularização, bem como as novas abordagens na aprendizagem no ambiente de trabalho trouxeram novas características às ferramentas, obviamente sem perder as características anteriores que tiveram sua própria modernização.

O aumento da velocidade da internet, das redes internas e da conexão dos celulares possibilitaram que os objetos educacionais baseados em elearning cedessem espaço aos vídeos. Além disso, o computador deixou de ser o único meio de acesso e os LMS passaram a contar com Apps e versões mobile para serem acessados por smartphones. Por fim, a autoria do conteúdo passou a ser compartilhada e qualquer pessoa passou a poder colaborar, assim a curadoria se torna cada vez mais importante.

O modelo 70:20:10 traz uma nova lógica de design de aprendizagem, do “aprender para fazer” para o “aprender fazendo” e “aprender com os outros”, assim a necessidade dos colaboradores em contar com mais recursos de suporte ao desempenho, tornando a aprendizagem sob demanda e embutida no próprio processo de trabalho. Neste estágio, temos o LMS visto como uma plataforma de experiências e que contribui para a transferência da aprendizagem para a prática.

No quarto estágio, a aprendizagem digital, vivenciamos a transformação desta ferramenta e a ruptura de suas fronteiras. Em outras palavras, o ambiente único e logado deixa de ser exclusivo e passa a permitir realmente que a aprendizagem seja para qualquer um, a qualquer hora e a qualquer lugar, com cursos em todos os ambientes, de diversas fontes e na dosagem ideal, sobretudo em microlearning.

O padrão SCORM cede espaço ao Experience API (xAPI), também conhecido como TinCan, e o monitoramento da aprendizagem passa a ser em qualquer formato e em qualquer sistema, assim o LMS adquire como aliado o LRS, Learning Record Store, um sistema que coleta e armazena dados das diversas experiências de aprendizagem. E para desenhar estas experiências de aprendizagem, o design thinking tem sido adotado como um complemento do tradicional processo de design instrucional, o ADDIE. Como última característica, a adoção de dados fará com que o LMS seja um grande Netflix, com sugestão de cursos e experiências de aprendizagem conforme seu interesse e de pessoas como você.

Por fim, o próximo estágio, o da aprendizagem inteligente, tende a ser direcionado pela capacidade cognitiva e tornará o processo de aprendizagem ainda mais otimizado, personalizado e eficaz. Robôs atuarão na curadoria e no suporte da aprendizagem, oferendo ampla e assertiva assistência em todos os desafios do trabalho.

Como pudemos ver, a evolução tecnológica desta ferramenta tem ocorrido de forma cada vez mais rápida. Entretanto sua adoção efetiva nas organizações tende a ser influenciada por diversos fatores, como: o apego à ferramenta atual, o perfil dos aprendizes e a própria capacidade de adaptação da área de educação corporativa.

 

Fonte: Espresso3